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Oito Revelações de Gênesis 1.1

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

No princípio criou Deus os céus e a terra (Gênesis 1.1)

1. Há um único Deus. O padrão das civilizações dentro da história humana é o politeísmo. Não importa o grau de avanço que as nações alcançaram em sua história, elas adotaram vários deuses em sua religião. Dessa forma, o monoteísmo é revolucionário e a história da redenção começa com a menção desse único Deus.

2. Esse Deus antecede todas as coisas. O “céu e a terra” é uma maneira de se referir a terra e o restante do universo, ou o mundo físico e o não físico. De qualquer forma a ideia é que havia Deus antes de haver qualquer coisa no universo. “Sem Ele nada do que foi feito se fez” (João 1.3). Tudo o mais é derivado dele

3. Esse Deus é todo poderoso. O Criador da imensidão só pode ser maior do que essa imensidão. Ninguém consegue criar algo superior a si mesmo. Criações sempre serão inferiores aos seus criadores em algum sentido. A infinitude do cosmo com certeza nos remete à uma infinitude Superior – a infinitude divina. Seu poder se evidencia por sua obra.

4. Esse Deus, em algum sentido, mostrou-se plural (Elohim). Só a revelação máxima do Filho encarnado e toda revelação posterior do Novo Testamento, trazida pelo Espírito através dos apóstolos tornará clara a natureza trina de Deus. Todavia, o uso de um termo plural “Elohim” com flexão no singular “criou” deixa uma semente para uma melhor compreensão da natureza divina. Desse modo, unidade e pluralidade se harmonizam e desde o princípio se estabelecem.

5. A matéria teve um princípio, ela não é eterna. Embora o filósofo Heráclito de Éfeso (530 a 470 a.C.) tenha dito que o cosmo sempre existiu e nenhum deus o criou, sua afirmação é gratuita, arbitrária, pois ele mesmo não tinha como saber. Só a revelação divina poderia nos dar a saber a verdade, isto é, que o universo teve uma origem, ele não existiu sempre. Home os cientistas estão cada vez mais conscientes disto, mas a confiável revelação das Escrituras já tem nos assegurado a respeito disso.

6. Esse Deus criou tudo o que existe. Yonaguni são estruturas encontradas submersas na ilha japonesa com esse mesmo nome. Há calorosa discussão se tais estruturas são naturais ou criadas pelo homem antes de serem submergidas no mar. Ainda não há consenso. Todavia, a complexidade da criação cada vez mais aponta para uma Mente Inteligente por trás do que existe. Embora a criação seja adaptável e moldável, mesmo tal capacidade só existe devido a inteligência e sabedoria de seu Criador.

7. Esse Deus criou tudo ex-nihilo, isto é, à partir do nada. Não apenas Ele criou, mas criou do nada, quando não havia “sequer o princípio do pó do mundo” (Provérbio 8.26). Para os gregos, como vimos, a matéria é eterna,

quando na verdade não é. Essa forma de encarar as coisas faz toda a diferença. Naturalismo é a cosmovisão que só considera a matéria como real e só se sustenta se ela for eterna. O sobrenaturalismo bíblico revela que essa matéria não existiu em algum momento, mas no momento decidido pela Divindade ela veio a existência. Aqui o naturalismo e sobrenaturalismo se chocam.

8. Esse Deus é distinto de sua criação. A criação não é o Criador como querem os monistas e panteístas. O hinduísmo não é verdadeiro. Seus pressupostos, baseados na ideia de que Brahma é tudo e tudo é Brahma, não distinguem Deus de sua criação e de suas criaturas. Diviniza de tal forma a matéria que de repente tudo se torna plenamente divino, até mesmo uma porção de água, um pedaço de rocha ou um animal. Em Gênesis 1.1. Criador e criatura se distinguem de modo inconfundível.

Dessa forma, um único Deus, anterior a tudo que existe, plural e uno em sua essência, todo poderoso, origina a matéria à partir do nada formando tudo o que há, mostrando-se distinto de sua criação e de suas criaturas é aqui revelado. Esse é apenas o começo da história e revela muito a respeito deste Deus que se tornará mais e mais conhecido na medida em que a história avança.

Essa cosmologia simples será a base de nossa cosmovisão complexa. Conheceremos o Criador, a criação e as criaturas dentro dessa perspectiva. À partir dessa mera sentença inicial a realidade do mundo e da Divindade nos será descortinada, quer na Escritura, quer na história. Será começando com essas verdades que chegaremos à plena revelação de Deus em Cristo Jesus e aos novos céus e nova terra por Ele prometidos. Nunca tão poucas palavras produziram e iniciaram tantas verdades.

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