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A Era dos Oxímoros Cristãos

Por Eguinaldo Hélio de Souza

Um amigo me orientou a não usar essa palavra no título por ser desconhecida da grande maioria. Não o obedeci e agora tenho a obrigação de explicá-la. E isso é bom para o crescimento do vocabulário.

Oxímoro é uma figura de linguagem que se utiliza de conceitos contrários para se exprimir. Expressões como “silêncio eloqüente” ou “loucura lúcida” são oximoros. Não são possíveis na realidade. São possíveis apenas como licença poética.

Embora como licença poética essas expressões soem bonitas elas são inadequadas para retratar a realidade concreta. Jamais poderá existir um quadrado redondo ou uma culpa inocente. A poesia pode conter oximoros, a realidade não. Se a linguagem permite licenças poéticas, a verdade jamais. Nem mesmo as verdades espirituais, que alguns acreditam não passar de ficção piedosa. Ou Deus é onipotente ou não é, pois é impossível um onipotente impotente.

No entanto, nesta nossa era de relativismos extremos, onde a verdade perdeu toda a sua essência, fomos aos poucos sendo cercados por conceitos contraditórios e as pessoas simplesmente os aceitam e sancionam sem nada estranhar. Um diabo bom ou um anjo ruim lhes parece completamente normais como se alguém pudesse ser ele mesmo e o seu oposto ao mesmo tempo sem que isso ferisse a razão ou a realidade.

Só para exemplificar, poeticamente eu posso até sentir o “calor tórrido de uma noite gélida”. No mundo real, a noite gélida irá me matar ou me deixar bem doente. E quando falamos de coisas espirituais, temos também realidades espirituais que não podem ser anuladas com licenças poéticas e oximoros estéticos.

Listei abaixo quatro oximoros cristãos que uma grande maioria aceita como se fosse possível cair para cima ou entrar para fora.

Pornografia gospel

Sim, fala-se absurdamente em pornografia gospel. A porneia, essa obra da carne tão combatida no Evangelho e contrastada continuamente com a virtude cristã da pureza é agora aparentemente “santificada” porque alguém lhe acrescentou a palavra “gospel”. Para o pecado virar santidade só bastou um simples vocábulo e pronto: o imundo ficou limpo sem que fosse necessário um arrependimento ou um afastamento do mal. O errado virou certo, o imundo tornou-se limpo, o pecado virou santidade.

A poesia pode ter seus “oximoros”. A verdade não. Os opostos não se atraem, não se misturam, não se identificam. Na boa realidade eles se contrastam e se opõem. Qualquer tentativa de conciliar pornografia e evangelho é uma afronta à realidade, uma afronta ao Evangelho, uma afronta a Deus. E nenhuma afronta à Ele ficará impune.

Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal! Que fazem da escuridão luz, e da luz, escuridão, e fazem do amargo doce, e do doce, amargo! (Isaías 5.20)

Teologia gay

E dentro dessa onda ilusória de oximoros cristãos surge o movimento gay cristão com sua teologia gay como se tal coisa pudesse existir na realidade.

Não é preciso ser teólogo para ver que a Bíblia condena o homossexualismo, basta saber ler. Nenhum malabarismo hermenêutico ou exegético será capaz de anular a verdade de que nas Escrituras, de Gênesis a Apocalipse, a prática sexual entre pessoas do mesmo sexo é condenada por Deus. Não resta dúvida de que essa é a normalidade bíblica e cristianismo é antes de qualquer coisa crença na veracidade bíblica.

Casal heterossexual não passa de pleonasmo vicioso, como entrar para dentro e sair para fora. Somente nesta nossa era de ilusões filosóficas uma expressão como essa se torna possível. Somente nesta era sem noção da realidade e da verdade, algo como teologia gay poderia ser aceita como uma expressão válida.

Espiritismo cristão

Infelizmente, essa distorção da realidade não atingiu apenas o comportamento e a moral. Penetrou na compreensão da própria doutrina e da realidade cristã. Pois temos um espiritismo que se diz cristão, com um suposto evangelho espírita, sem que as pessoas que usam estes termos percebam que tal coisa é impossível, pois cristianismo e espiritismo possuem ideias e práticas conflitantes.

As Escrituras proíbem, desde os seus primeiros livros, o contato com os mortos. Condena completamente os que tal coisa fazem. O espiritismo, por sua vez, tem no contato com os mortos sua principal prática.

O espiritismo (ao menosno Brasil) ensina a reencarnação, a transmigração de almas. O cristianismo ensina a ressurreição da carne, a ressurreição dos mortos. Na primeira temos uma alma que viverá em muitos corpos, em um ciclo de renascimento e morte contínuos sobre o qual as Escrituras não fazem a mínima menção. No segundo caso, na ressurreição, temos um único corpo e uma única alma, porque o homem é visto em sua dimensão total como físico e não físico. Sequer a palavra reencarnação ou similar aparece nas Escrituras e ainda assim os espíritas, que tem nela outro ponto essencial de sua doutrina, querem afirmar-se cristãos.

O Evangelho é a oferta gratuita da salvação a humanidade decaída. O espiritismo ensina o esforço e o sofrimento como formas de atingir essa salvação. Bem contrastante.

Socialismo cristão

O socialismo marxista por diversas vezes se aproximou do cristianismo, não porque o aprove, mas porque precisa tolerá-lo antes de destruí-lo como sempre aconteceu.

O marxismo repousa sobre o materialismo dialético, um conceito que obrigatoriamente nega qualquer realidade espiritual, como Deus e alma. Se tirarmos Deus e alma do cristianismo, então nada temos. Se colocarmos Deus e alma no marxismo, ele não será mais o marxismo.

Portanto, Um socialismo/marxismo cristão faz tanto sentido quanto uma luz escura ou um fogo gelado. Seria poético, mas seria irreal.

Marxismo, na teoria, nega a essência do cristianismo. Na prática, mata cristãos. Unir a ambos equivaleria a destruir um dos dois. E historicamente, o cristianismo levou a pior, seja por ter sua teologia pervertida, seja por ter sua prática proibida sob pena de morte.

Esses oximoros cristãos não surgiram de um problema teológico. Surgiram de problemas filosóficos. O mundo tem sido ensinado pelos pseudo-pensadores que os contrastes da realidade ao seu redor podem ser anulados com palavras e conceitos. Enquanto as Escrituras permanecem firmes demonstrando a incompatibilidade de bem e o mal, da luz e das trevas, de Cristo e Satanás o ser humano produz absurdos intelectuais na vã tentativa de moldar o universo ao bel prazer de seus desejos.

“porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial?” (2 Coríntios 6.14, 15)

Nesta nossa civilização multicultural, as pessoas podem ser pornográficas, homossexuais, espíritas e socialistas o quanto quiserem. Também, se quiserem, podem escrever “cristão” ao lado de suas práticas ou ideias. Ninguém poderá ou ousará impedi-las.

O que elas não podem é querer que Deus e a realidade sancionem suas atitudes, seus discursos e suas práticas. A pornografia, o homossexualismo, o espiritismo e o marxismo/socialismo jamais se tornarão cristãos não importa quantas vezes esse adjetivo seja colocado e atribuído a eles.

As palavras não podem alterar a realidade. Podem apenas expressá-la ou distorcer sua compreensão. Nós escolhemos expressá-la.

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