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Estamos em Guerra

Por Eguinaldo Hélio Souza

 

Eis que o destruidor já avança conta ti. Guarda a fortaleza! Vigia a estrada! Fortalece a resistência! Reúne todas as tuas forças! (Naum 2.1 KJA)

Uma coisa é não amar a guerra, não desejar a guerra, não começar a guerra. Outra coisa é ignorar a guerra ao nosso redor. Se o pacifismo fosse resposta para tudo, talvez hoje o mundo fosse totalmente islâmico. Isso não aconteceu porque Carlos Martel venceu os exércitos muçulmanos na Batalha de Tours (732 d.C.). Avançando mais no tempo, não fossem os aliados na 2ª Guerra, talvez o nazismo tivesse dominado a cultura ocidental. O mal existe e muito mais do que uma abstração, ele é concreto e não será vencido com o silêncio, com a omissão ou com a ignorância. Em uma guerra, a falta de reação já é uma rendição.

Entretanto, a guerra agora é mais sutil. Ela é ideológica, didática, midiática, mas não é menos perigosa. O inimigo almeja tomar primeiramente as mentes para depois tomar o poder. Ele se utiliza mais da astúcia do que da violência, mais do engano do que da bala. O objetivo, entretanto, permanece o mesmo. Jesus disse que o mundo nos odeia e se achamos que este mundo nos ama ou nos ignora, alguma coisa está errada. A sociedade pode ter se tornado mais educada e mudado seus métodos. Sua natureza, porém, continua a mesma.

O Ocidente defendeu a liberdade de pensamento e de crença em uma época na qual o cristianismo tinha supremacia. As ideias, as leis, as relações sociais, a cosmovisão e a cultura, em maior ou menor grau, derivavam das Escrituras. Esse tempo já passou. Agora a arena está sendo tomada por outros “ismos”, que desejam o controle. Entre os principais inimigos declarados do cristianismo, podemos citar o marxismo, que se acredita a realidade última e o islamismo, que mesmo em sua expressão mais pacífica, almeja a islamização do mundo.

Uma das maiores lições de Gramsci aos comunistas foi: não tomem quartéis, tomem escolas e universidades, não ataquem blindados, ataquem ideias gerando dúvidas, e propondo o diálogo permanente, nunca apresentando certezas, mas devem estar preparados para preencher as dúvidas antes que a consciência individual o faça. Não assaltem bancos, assaltem redações de jornais, não se mostrem violentos, mas pacifistas e vítimas das violências da “direita”.1 Por acaso essa não é a realidade das nossas universidades e da nossa mídia e mesmo de nossa cultura?

E não pensem que o islamismo cresce explodindo homens. Ele também luta pelas mentes. A islamização tende a ocorrer primeiramente no âmbito cultural, deslocando-se depois para as esferas social e política.2 Não tardará e ele estará nas cátedras, nas artes e na mídia ainda mais do que já está, até que finque sua bandeira nas esferas do poder. Sua atitude intrusiva se fará sentir cada vez mais.

Declarando ou não, marxismo e islamismo se aliaram (Basta olhar a Venezuela) contra o cristianismo e tudo aquilo que se relaciona a ele. São hoje os maiores desafios para a Igreja brasileira e do Ocidente. Se muitos cristãos sequer percebem a luta, como vencerão a guerra?

Que tipo de cristão é você?

Há três categorias de cristãos nessa guerra. Os que a lutam, os que a ignoram e os que já se renderam ao inimigo.

Os que a lutam são em número muito pequeno e muitas vezes são vistos como alienígenas no próprio corpo da Igreja. São tidos por fanáticos, alienados e como um Dom Quixote lutando contra moinhos de ventos. Temo que se repetirá em suas vidas o que aconteceu com os profetas do passado. Suas palavras só foram aceitas quando o inimigo estava às portas e era tarde demais.

Infelizmente, a grande maioria é composta por cristãos e líderes cristãos que ignoram ou tentam ignorar a guerra cultural. Ou se refugiam em suas torres de marfim, ou se orgulham de sua própria ignorância, acreditando que a espiritualidade cristã sobrevive sem as verdades reveladas do cristianismo. A piedade cristã não dispensa o conhecimento verdadeiro. Ela se solidifica com ele.

“Se um lado sabe que está em guerra e o outro não sabe, que lado você acha que vencerá?”3

O mais triste, porém, é o número cada vez maior de organizações cristãs e de cristãos em geral que já se renderam ao inimigo. Gritam “Paz! Paz!” Quando não há paz.4 Nossos filhos estão sendo bombardeados nas escolas e universidades com ideias e sentimentos anticristãos e eles acham que está tudo bem. Leis estão impondo a agenda homossexual e eles acham que está tudo bem. O politicamente correto nos impede de declarar o óbvio e eles aceitam isso como natural. Cursos de “teologia” têm ateus como professores e defesa da ideologia de gênero em seu currículo. E eles acreditam que está tudo bem.

Nossa batalha moral não acabou, mas foi somada a ela o âmbito intelectual e nós estamos perdendo. Não falta cristianismo, mas é um cristianismo domado, amordaçado e acuado. Dizer a verdade virou radicalismo.

Uma palavra final

 “Paz, se for possível. Mas a verdade acima de tudo”, escreveu Lutero. Esses 500 anos da Reforma Protestante deveriam não apenas nos lembrar de que a verdade revelada existe, mas que defende-la muitas vezes tem um preço alto.

“Em tempos de crise, Deus sempre salvou a Igreja. Mas ele sempre a salvou pelos teimosos defensores da verdade, e não pelos pacifistas teológicos”, escreveu J. Gresham Machen (1881 – 1936) no início do século XX sobre a teologia liberal que por pouco não destruiu o cristianismo.

Claro que o chamado para lutarmos essa guerra não tem a ver com violência, ou ódio, ou maldade em qualquer sentido, pois nesse caso estaríamos nós mesmos negando o cristianismo. Tem a ver com convicção, com coragem, com posicionamento, com ação. Chega de sermos simples como pombas e prudentes como cordeiros. Chega de não denunciar o mal e de não apoiarmos os que o denunciam. Chega de deixar que o inimigo eduque os nossos filhos e domine nossos espaços. Chega de permitir que suas ideias invadam nosso ensino teológico, nossas organizações cristãs, nossas igrejas e a mente de nosso povo.

Precisamos conhecer profundamente aquilo que Deus revelou e usar essa luz para expor, enfrentar e rejeitar o engano. Sim, a guerra é espiritual. E ela se reflete na cultura, na legislação, na política, nas ações concretas do dia-a-dia. Sim, é preciso orar. Mas

também é preciso estudar, aprender, entender, falar, escrever, debater, refutar, rejeitar, resistir, protestar, boicotar, orientar, advertir. A tempo e fora de tempo.

“Porque, embora vivendo como seres humanos, não lutamos segundo os padrões deste mundo. Pois as armas da nossa guerra não são terrenas, mas poderosas em Deus para destruir fortalezas! Destruímos vãs filosofias e a arrogância que tentam levar as pessoas para longe do conhecimento de Deus, e dominamos todo o pensamento carnal, para torna-lo obediente a Cristo!” (2 Coríntios 10.3-5 KJA)

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1 PAOLA, Heitor de. O Eixo do Mal Latino Americano. São Paulo: É Realizações, 2008, p. 89

2 HUNTINGTON, Samuel P. O choque das civilizações. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010, p. 181

3 KREEFT, Peter. Como vencer a guerra cultural. Campinas: Ecclesiae, 2011, p. 25

4 Jeremias 6.14

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