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Os Normais

Por Eguinaldo Hélio Souza

 

 

Essa atitude anormal resulta no obscurecimento da verdade: de que as pessoas normais são as mais ricas de todas.

 Andrew Lobaczewski

Aconteceu um crime. Um homem, que havia feito uma operação para mudar de sexo, foi assassinado. As autoridades policiais registraram o homicídio. Investigaram, prenderam o assassino, encerraram o caso. Pouco depois, a comunidade LGBTQ qualquer coisa mais, entrou com um processo porque esse assassinato não poderia ser registrado como homicídio. Teria que ter sido registrado como feminicídio. Em cima disso uma guerra jurídica foi iniciada, sendo o caso matéria de TCC!!!. Uma pessoa foi assassinada, mas o problema não era que alguém matou alguém e sim como foi registrado esse assassinato. ???

Sou só eu ou mais alguém acha que tudo isso é loucura? Um homem que não queria mais ser homem, ou uma suposta mulher que já tinha sido um homem, depois de assassinado, tem uma disputa pela definição de seu sexo. De seu sexo não. Uma disputa para saber como deveria ser classificado o seu assassinato, homicídio ou feminicídio? Ou lgbtqcídio? Transexicídio? Onde terminarão os nós estranguladores dessa engenharia social insana?

O Waldemar quer ser chamado de Suzana e o professor que se recusa a fazê-lo corre o risco de um processo e de ser criminalizado. Casal, por definição macho e fêmea, já não significa isso. Alguém com título de “filósofa”, fala da “lógica do assalto” e defende a prática do crime. (E não vamos comentar uma palestra “acadêmica” sobre o ânus). Ou outro discurso “filosófico” de outra suposta renomada “filósofa” diz que a família foi inventada no século XIX e que os defensores da família são “bestas”, isto é, quase toda a população brasileira, inclusive as que pagam seu gordo salário.

Se esses fatos e essas pessoas fossem anônimos e imperceptíveis, envolvendo elementos desconhecidos e raros, não haveria com que se preocupar. No entanto, são supostos acadêmicos, em supostos ambientes intelectuais, desconstruindo, destruindo e infectando a mente de jovens com os vírus de uma irrealidade doentia que eles acreditam ou fingem acreditar. Só as pessoais normais permanecem imunes diante dessa pandemia mental, percebendo a construção gradativa da Loucurolândia.

Nós estamos procurando, escreveu Lobaczewski, por indivíduos que compõem um número estatisticamente pequeno, mas cuja qualidade desta diferença é tal que pode afetar, de forma negativa, centenas, milhares e até milhões de seres humanos.[1]

E isso é só uma amostra de como um punhado de pessoas que vivem no planeta Zorg vão impondo sobre milhões uma visão de mundo psicodélica, a ponto de fazer pessoas normais se sentirem culpadas por pensar de modo lógico. Essa aparente ficção, na verdade é um fato e foi registrado por Hannah Arendt em seu livro Origens do totalitarismo e por Andrew Lobaczewski em seu livro Ponerologia, psicopatas no poder.

Não há problema em pessoas não desejarem ser o que são (ou há). Não é incomum as pessoas não gostarem do mundo como ele é. O problema está no fato de pensarem que são deuses, procurando mudar-se ou mudá-lo a seu bel prazer, obrigando todos a concordarem com elas, criando discursos e leis que amordacem e punam os que delas divergem. E para isso vão ocupando os espaços do poder, impondo de cima para baixo seu mundo imaginário. Aconteceu na Alemanha nazista, em todo o mundo comunista, e agora luta para subjugar nossa nação. São tentativas de clonagens de mentes, de imbecilização em série, das quais temos sido vítimas por diversos meios, desde a escola até as produções cinematográficas.

E em meio a essa estranha floresta ideológica, uma criatura caminha espantada, tentando se desviar de covas e teias em seu caminho – o ser humano normal. Fora da bolha ilusória eles tentam escapar da redoma que cresce e que busca, ou incluí-los nessa prisão do pensamento ou esmaga-los por resistirem. Os normais são a esperança de uma nação sob ataque.

Por esse motivo, os normais que ousam se pronunciar contra a bolha nunca parecem normais. Por seus opositores são pintados monstros retrógrados, inimigos do gênero humano como descreveu Tácito aos cristãos em seus Anais. Do outro lado, os demais normais os veem como a voz dos seus pensamentos, como o instrumento que trombeteia seus sentimentos de uma forma que eles mesmos não tinham coragem. Então, agora se alimentam da coragem desse normal corajoso e a ele se unem, a princípio de maneira discreta e depois de modo intenso, para furar a bolha e a fazer retroceder.

Falar que homem é homem, mulher é mulher, família é família, bandido é bandido, terrorista é terrorista, está se tornando cada dia mais perigoso. É proibida a entrada de pessoas normais. No entanto, eles, os normais, não podem se calar, ainda que para serem ouvidos precisem gritar muito em um mundo ensurdecido para a realidade. São eles a pedra no sapato daqueles que procuram, por meio da educação, da arte, da política e do ativismo jurídico, parir seu Admirável Mundo Novo sobre o sangue e a liberdade dos discordantes.

Os autores e executores desses programas são incapazes de entender que o fator decisivo para tornar o seu trabalho difícil é a natureza fundamental dos seres humanos normais – a maioria.[2]

Geralmente estes normais são pessoas cristãs ou influenciadas pela revelação cristã, com uma visão de mundo “radical”, que teima em se referir às coisas por seus devidos nomes. Elas chegam ao ponto de chamar de safadeza e de blasfêmia, aquilo que os zorguianos chamam arte. Elas chamam o bem de bem e o mal de mal. Acreditam no certo e no errado, no verdadeiro e no falso. Revolucionariamente acreditam em direitos humanos só para humanos direitos. Acreditam que o criminoso, quando devidamente punido, longe de ser vítima dessa entidade abstrata e intangível chamada sociedade, está sendo vítima de suas próprias más escolhas.

Às vésperas do nazismo, os alemães e outros povos ao redor, se recusavam a perceber a engenharia social da qual estavam sendo vítimas. Tal engenharia ia pouco a pouco impondo conceitos que ao invés de interpretar a realidade, prontamente a distorcia. Esse fenômeno só foi percebido depois que o nazismo já havia sepultado a realidade nos escombros dos seus devaneios.

Os alemães, no entanto, não foram o único povo que preferiu (…) não saber o que estava acontecendo e se recusou a chamar as coisas ruins pelos seus nomes verdadeiros.[3]

Por esses e outros motivos, há um contínuo conflito entre o mundo dos normais e esse outro mundo, criado com bolhas ideológicas e ficções filosóficas. Ao assumir o poder, mesmo que seja o poder acadêmico ou cultural, esses filhos de Gramsci, de Marcuse ou de outro Mefistófeles qualquer, irão se unir a outros para impor sua irrealidade sobre a realidade.

Hannah Arendt e as origens do totalitarismo

Todos aqueles homens, ou pelo menos, assim nos parece hoje,

viviam em um mundo de sonhos e fantasias[4]

 

O Julgamento de Nuremberg

            O maior inimigo do socialismo, não é o capitalismo, é a realidade.

 

Margareth Thatcher

 

            Em sua grande obra-prima, As origens do totalitarismo, Hanna Arendt fala desse universo fictício, criado por nazistas e comunistas e depois imposto sobre seus dominados. Mesmo os que não sofriam fisicamente, sofriam por ter de aceitar como normal, uma série de conceitos anormais. Muitos cediam, outros se adaptavam e uns poucos resistiam, pelo que eram aprisionados ou mortos. Com certeza muitos sentiam como se a normalidade do seu dia a dia houvesse sido invadida por extraterrestres, que se propunham não apenas a tomar seus espaços, mas a remodelar sua forma de pensar e de ver. Os que se recusavam, eram mortos.

            O possuir o poder significa o confronto com a realidade, e o totalitarismo no poder procura constantemente evitar esse confronto, mantendo o seu desprezo pelos fatos e impondo a rígida observância das normas do mundo fictício que criou [Grifo meu].[5]

            É aqui onde os normais têm o seu papel. Antes que o domínio se consuma, eles precisam falar, precisam escrever, precisam agir. Eles precisam inundar o mundo ao seu redor com a verdade, mostrar os fatos, definir os contornos do real. Enquanto podem, precisam abrir os olhos aos cegos, antes que estes cheguem ao ponto de não desejarem mais ver. Ou pior, antes que os cegos se tornem “cegadores” dos que veem.

            O maior perigo para os criadores desse mundo fictício é alguém que divulgue a realidade, de modo eficiente e claro.

            … cada fragmento de informação concreta que se infiltra através da cortina de ferro, construída para deter a sempre perigosa torrente da realidade vinda do lado não-totalitário, é uma ameaça maior (…) do que era a contrapropaganda para o movimento totalitário.[6]

Não, não estamos em um totalitarismo. Mas estaremos se os normais se calarem. Assim como o Empire State foi um dia, apenas uma planta, nazismo e comunismo foram um dia, apenas ideias estúpidas.

(Publicado originalmente na Revista Eletrônica Terça Livre)



[1] LOBACZEWSKI, Andrew. Ponerologia: Psicopatas no poder. Campinas: Vide Editorial,  2014, p. 51

[2] LOBACCEWSKI, Op. Cit. p. 172

[3] VOEGELIN, Eic. Hitler e os alemães. São Paulo: É realizações, 2008, p. 203

[4] HEYDECKER, Joe D. e  LEEB, Johannes. O Julgamento de Nuremberg. Editoria Ibis, 1962, p. 254

[5] ARENDT, Hannah. As origens do totalitarismo. São Paulo: Cia das Letras, 1989, p. 442

[6] Op. Cit. p. 442

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