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O Que Vejo no Cosmo

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

Uma mudança sutil aconteceu em algum momento da história moderna. Os homens, olhando o universo, deixaram de perguntar “Quem o fez?”, para perguntar apenas “Como funciona?”. Cessou a busca por sentido e começou a luta pela realização. Então o homem poderia entregar-se aos grandes feitos, mas já não sabia a razão de realizá-los. Os cientistas modernos tornaram-se como crianças brincando com massa de modelar que perderam completamente o contato com o mundo e a vida ao seu redor. Não querem saber o quem fez o cosmo. Querem apenas transformá-lo de acordo com sua natureza decaída. Querem a liberdade para fazer com a massinha o que bem entenderem, não importando quem a deu a eles ou o que planejavam quando fizeram isso. O homem está só com seu brinquedo.

A questão da finalidade do mundo torna-se sem sentido, porque perguntar por isso pressupõe algo anterior à natureza na ordem dos existentes. Portanto, não é o misterioso fato da existência do mundo que interessa ao novo homem, mas explicações de como ele funciona.1

Nós, crentes na Bíblia, não vemos assim o mundo. Sabemos Quem o fez e porque. Nossa cosmologia e a nossa cosmovisão se alinham para fazer deste não um multi-verso, mas um uni-verso, onde a maneira de ver o que está ao nosso redor se harmoniza com nossa compreensão. Criador, criação e criatura se ajustam em nossa mente como uma luva à mão. Compreendemos nosso Deus, compreendemos seu mundo, compreendemos seus planos para nós. Isso torna a vida algo bem diferente. Os primeiros cientistas também compreendiam, pois sua “busca do comportamento detalhado da natureza pela ciência moderna foi acalentada pela visão cristã de Deus como o Criador metódico e Preservador soberano do cosmo”2

O que vemos neste vasto cosmo, neste mundo que nos cerca, neste universo em que vivemos?

Primeiramente vemos inteligência. E inteligência do mais alto grau. A ordem estabelecida na realidade nos permite não apenas compreender o mundo, mas viver nele. Não fosse assim, nada seria possível. O homem só chegou à Lua porque dentro e fora da terra tudo funciona dentro de uma regularidade precisa. E a matemática é prova disso. A forma como as coisas funcionam, quer as coisas vivas quer as não vivas, são inteligência e sabedoria puras. Ele fez a terra com o seu poder, e ordenou o mundo com a sua sabedoria, e estendeu os céus com o seu entendimento. (Jeremias 51.15).

Os cientistas vêem se debatendo para criar vida em laboratório. É um esforço imenso e até então infrutífero. Sua intenção é provar que a vida pode ter surgido, por si só, sem a necessidade de um criador inteligente. “E mesmo que os cientistas terminassem criando vida em laboratório, isso provaria a criação. Por quê? Porque seus esforços mostrariam que é necessário haver muita inteligência para criar vida”3.

Em segundo lugar vemos beleza na criação. Não apenas inteligência, mas gosto estético, do mesmo gosto estético que temos em nós. O quadro ou

a fotografia que apreciamos apenas reproduziu o que havia na realidade. O deleite da obra do artista jamais se comparará com a obra do Artista. Nossa criatividade nada mais é que uma marca da semelhança com o Criador e a beleza de nossas criações foi furtada da criação original. A beleza do mundo é fruto das mãos do Belo. “Tudo fez formoso ao seu tempo” (Eclesiastes 3.11).

Por fim, em nosso universo, tudo tem propósito. Nós homens, nada criamos sem propósito. Nenhum invento humano foi feito sem finalidade. Criar algo sem finalidade é tolice. Também no universo, todas as coisas têm uma finalidade, um propósito. “É o SENHOR que faz crescer o pasto para o gado, e as plantas que o homem cultiva, para da terra tirar o alimento: (…) Ele fez a lua para marcar estações; o sol sabe quando deve se pôr. (Salmo 104.10-19). Desde os pelos de nossas sobrancelhas até as maiores estrelas, tudo Ele fez com uma finalidade. Mesmo Richard Dawkins, o apóstolo do antiteísmo moderno, escreveu: “A biologia é o estudo das coisas complicadas que dão a aparência de terem sido planejadas com um propósito” (O relojoeiro cego, p. 1).

Se a cosmologia prefere observar o mundo como uma caixa sem sentido, autoexistente, autosustentável e regida pelo frio acaso, ela nada mais será que uma ciência cega e limitada. Cada vez mais a realidade de um Criador grita à mente dos intelectuais e se estes permanecerem surdos, também permanecerão cegos para ver a verdadeira realidade do cosmo.

Agora acredito que o Universo foi criado por uma inteligência infinita. Acredito que as intricadas leis deste universo manifestam o que os cientistas têm chamado de A Mente de Deus. Acredito que a vida e a reprodução tem sua origem em uma fonte divina. (Antony Flew, filósofo que rejeitou o ateísmo aos 80 anos de idade)4

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1 WEAVER, Richard M. As ideias têm conseqüências. São Paulo: É realizações, 2016, p.16

2 HENRY, Carl F. H. O resgate da fé cristã. Brasília: Monergismo, 2014, pp. 30, 31

3 GEISLER. Norman e TUREK, Frank. Não tenho fé suficiente para ser ateu. São Paulo: Vida, 2006, p. 121.

4 FLEW, Antony. Um ateu garante: Deus existe. Rio de Janeiro: Record, 2008

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