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Buracos no Oriente

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

A arqueologia é uma ciência relativamente nova. Nasceu no século XV quando os europeus iam dominando o mundo. A presença de europeus nas terras bíblicas, levou aqueles que conheciam as Escrituras a escavar sob as ruínas e desertos da região, movidos pelo que conheciam da Bíblia. E os resultados foram surpreendentes. Um mundo bíblico emergiu da areia. Através da pá dos primeiros escavadores, o mundo moderno encontrou o antigo e narrativas consideradas lendárias se revelaram com história. Cada vez mais as línguas que negavam a historicidade das Bíblia iam sendo emudecidas. Cada buraco que se fazia no oriente se enterrava um ateu no ocidente.

C. W. Ceram foi o autor de livros de arqueologia, cuja intenção era popularizar essa ciência, escrevendo de um modo não técnico, para que o leigo pudesse aprendê-la e se deleitar com ela. Mesmo sendo um cético para quem a inerrância da Bíblia não era um fato, em muitos dos seus livros ele testemunhou o seu valor arqueológico. Mesmo sofrendo a influência daninha dos teólogos liberais, era impossível não perceber o valor intrínseco e extrínseco da Bíblia para os estudos arqueológicos.

Em seu livro Deuses, Túmulos e Sábios, onde são narradas as descobertas arqueológicas de Tróia, Mesopotâmia, Egito e América Pré-Colombiana ele faz a seguinte declaração, que vindo de seus escritos, adquirem uma importância ainda maior:

Nos séculos da crença cristã a palavra da Bíblia era inquestionável e a letra sagrada. A era da razão trouxe a crítica, mas o mesmo século em que a crítica em todas as filosofias do materialismo se tornou permanente dúvida trouxe igualmente a prova de quanto havia de verdadeiro no cerne da Bíblia…

Ele então passa a narrar a aventura de Paul Emile Botta, o francês que trabalhando como embaixador nas terras mesopotâmicas, região palco dos grandes impérios da Assíria e da Babilônia, descobriu as ruínas de Nínive. Uma verdadeira epopéia levou esse homem a ser o responsável por um dos grandes ramos da arqueologia – a assiriologia. A importância desse fato se torna maior quando lembramos que Ceram não era um crente tentando provar a veracidade da Bíblia e sim um arqueólogo que tentava mostrar o valor de sua ciência, reconhecendo para isso o valor das Escrituras Sagradas.

Outro nome relacionado à arqueologia bíblica que mereceu destaque foi Henry Layard, que por suas escavações nas margens do rio Tigre na Mesopotâmia, veio a ser o descobridor não apenas da grande cidade de Babilônia, mas de inúmeras cidades antigas do Oriente Próximo. Grande é a dívida dessa ciência para com ele. Em 1845 ele iniciou suas atividades como escavador e a riqueza arqueológica que descobriu o tornaram muito famoso e ajudaram a desvendar inúmeros mistérios do passado.

Em todo esse tempo o texto bíblico servia como uma espécie de mapa mental. Nele estava descrita a grandeza dos impérios da antiguidade. Aquela região era o seu contexto histórico e geográfico. As inúmeras referências que

ela fazia de reis e de reinos era suficiente para não permitir que eles ficassem perpetuamente enterrados nas areias do tempo.

Um trecho do discurso do xeque Abd-er-Rahman à Layard nos dá um vislumbre da importância das Sagradas Escrituras nessas descobertas:

Meu pai e o pai de meu pai, antes de mim, abriram aqui suas tendas. Há doze séculos que os verdadeiros crentes – Deus seja louvado, só eles possuem a verdadeira sabedoria – se estabeleceram neste país, e nenhum deles jamais ouviu falar de palácios subterrâneos, nem tampouco os que os precederam. Então, eis que aparece um franco de um país afastado muitos dias de viagem, vai diretamente ao lugar, pega dum bastão e traça uma linha para cá, uma linha para lá: “Aqui”, diz ele, “está o palácio e lá”, diz ele, “está o portão”. E mostra-nos o que durante toda a nossa vida esteve sob nossos pés, sem que nada soubéssemos. Maravilhoso! Maravilhoso! Aprendeste isso pelos livros, por artes mágicas ou por vossos profetas? Dizê-lo ó Bei! Diz-me o segredo da sabedoria…

Os profetas bíblicos tiveram uma importância vital na descoberta de Layard. Eles não apenas testificaram da existência daquelas cidades e impérios como também suas profecias predisseram a sua ruína.

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